História de Cabril

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UM POUCO DE HISTÓRIA

por armando reis

 

Cabril significa etimologicamente coisa áspera ou agreste e ainda curral de cabras. em tempos não muito recuados substituíram na região grandes rebanhos que, juntamente, com a recolha da castanha, proveniente dos soutos então existentes nos vales, constituíam a única riqueza e base de alimentação da população.

Quando ao facto de constituir uma zona agreste, com grandes espaços e altaneiras montanhas, de inefável beleza, sabe-o o povo melhor do que ninguém, pois sofre-lhe as consequências na própria pele.

Com efeito, para sobreviver, vê-se e deseja-se para arrancar umas míseras couves e batatas, alguns legumes ou um punhado de milho, a um solo e subsolo pobres onde predominam os xistos e quartzitos.

Cabril é povoação muito antiga, cuja origem se perde na noite dos  séculos. Segundo tradição oral e ainda testemunhos de alguns achados arqueológicos pode-se concluir que, outrora, a população se espalharia em pequenos povoados, situados em vales abrigados das intempéries, formados por grupos de famílias que dedicavam à caça e pastorícia, chegando também a explorar as areias do rio Unhais , afluente do Zêzere em busca de ouro. A agricultura teria um lugar de somenos importância com alguns olivedos que não bastariam para o sustento das gentes do lugar.

Ainda hoje existe, ao cimo do lugar do Vale Grande, incrustada numa muralha de rochas, que se continuam até ao Tejo, onde formam as conhecidas Portas de Ródão, uma mina ou galeria, apelidada de mina dos Mouros acerca da qual se contam lendas de possíveis pesquisadores auríferos.

O certo é que já no século XIV, no reinado de D. Afonso V, ou no século XVI, no reinado de D. João III, há referências a pessoas e factos ocorridos nos lugares de Cabril e Praçais e são mencionados os baldios do Armadouro.

Sabe-se também que Cabril foi a primeira paróquia a constituir-se na zona, o que deve datar dos meados do século XVII.

Em 1732, Cabril era uma paróquia com 60 fogos e 250 habitantes. No primeiro censo oficial efectuado em 1864, a população global atingira 850 almas.

É claro que o crescimento demográfico era necessariamente lento, dado ao clima rigoroso, ao isolamento das populações, sem vias de comunicação, à exiguidade dos recursos agrícolas, a uma assistência médica inexistente, com elevada taxa de mortalidade infantil, panorama, aliás, que ainda hoje não é diferente, o que levava inevitavelmente as gentes do lugar a emigrações constantes e periódicas.

No último censo oficial realizado, a população da freguesia era apenas de 1160 habitantes inferior, portanto, ao censo que teve lugar em 1940.

Também as convulsões da política chegaram até estas inóspitas paragens. Depois da implantação da República deu-se uma radicalização de posições, como de resto aconteceu em todo o concelho dividindo-se a população em adeptos dos republicanos (minoritários mas activos), e os afectos à monarquia. Embora estes tivessem em grande maioria e contassem com apoio das figuras mais influentes na região, foi a primeira vez que o povo local despertou da letargia em que vivia.

Durante a Segunda Guerra Mundial a população, que se dedicava à agricultura, ao comércio ambulante e até ao contrabando vindo de Espanha, emigrou em massa para Lisboa, concentrando-se na área de Alfama, onde vivia em "casas de malta", uma réplica, de certo modo, às célebres "repúblicas" dos estudantes de Coimbra. Anteriormente durante os anos vinte, emigrara em quantidade apreciável para França, emigração essa a que a crise mundial de 1929 viria a pôr termo. Esses emigrantes, conhecidos pelos "franceses", mandaram edificar uma modesta capela, no estilo tradicional da Beira, dedicada a Nossa Senhora de Lourdes, onde todos os anos se realiza uma pitoresca romaria ou romagem. coo dizem os seus naturais. Já lá vão mais de 50 anos!

A freguesia de Cabril pertenceu sempre ao concelho de Pampilhosa da Serra, vila que teve o foral de el-rei D. Diniz, e situa-se na zona serrana que ligava os antigos concelhos de Fajão, Covilhã e Fundão ao concelho pampilhosense.

Só em meados do século passado, com a extinção do concelho de Fajão, as freguesias de Dornelas do Zêzere, Janeiro de Baixo, Unhais-o-Velho e Vidual, administrativamente pertencendo àquela primeira autarquia, ficaram integradas no concelho de Pampilhosa da Serra, dilatando assim substancialmente a sua área.

A Freguesia de Cabril é constituída pelos seguintes lugares: Algar, Armadouro, Cabril, Foz do Ribeiro, Lomba da Senhora, Malhau, Porto d´Égua, Praçais, Sanguessuga, Sobralinho, Vale Derradeiro, Vale Grande e Mosqueiro.

Nos últimos tempos, graças às remessas dos emigrantes, têm sido constituídas em Cabril, diversas  moradias que lhe deram um certo ar cosmopolita. Pena é que, tais construções não se tenham integrado na arquitectura local, marcadamente popular, em lugar de se terem copiado figurinos estrangeiros, que nada à sensibilidade das gentes da Serra.

Cabril que possui uma bela e imponente igreja, erguida à custa do bairrismo e fé inabalável do seu povo, é local ideal para descanso e curas de repouso. Rodeada de infindáveis pinhais, com clima sedativo e de média altitude, de ares puros e perfumados, com águas leves e digestivas, goza ainda de situação privilegiada, voltada para a vertente para a vertente sul, praticamente com sol de manhã à noite.

No limite da freguesia, num local de rara imponência, denominado Penedos do Vidual e também Cabril do Vidual, ergue-se a famosa barragem de Santa Luzia, construída em betão armado incrustado em plena montanha rochosa. Esta barragem deve o seu nome ao facto de existir nos penedos adjacentes uma pequena capela em honra de Santa Luzia, mandada edificar por um "pecador" da região em remissão dos seus pecados que, pelos vistos, seriam muitos!

A barragem de Santa Luzia, cuja central eléctrica se situa a alguns quilómetros de distância, próximo de uma povoação denominada Esteiro, deu origem a deslumbrante albufeira, das primeiras a serem construídas no país e possui condições magníficas para a prática da pesca, natação, motonáutica, campismo e até alpinismo.

Pena é, só contar com os seus excepcionais recursos naturais e nada mais. Nem local para pernoitar nem estrada capaz. Apenas beleza que faz desta albufeira das mais formosas que existem no país ou no estrangeiro. Quando é que esta jóia preciosa é descoberta para o turismo?

 

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Textos: de José Teodoro Martins com a Edição da Liga de Melhoramentos da Freguesia de Cabril - 50.º Aniversário  e de Armando Reis com a obra Subsídios para a História do Regionalismo Serrano, Cabril (Pampilhosa da Serra) e a sua Liga de Melhoramentos - e ainda, comunicados, notícias e outros assuntos importantes para divulgar através deste sítio através da Liga de Melhoramentos da Freguesia de Cabril.
A manutenção desta página está a cargo de Carlos Alberto Teodoro da Purificação Cruz.
Última actualização: 15-Abr-2018